o tempo
cavalga pelos campos e cultiva
liberdades nas crinas do vento
sem pressa para fugas
(os espaços são seus comparsas)
o tempo
percorre a vastidão do ínfimo
desnuda o íntimo na transparência
veste-se do instante – traje colossal
o tempo
ignora a memória e despreza
a programação da TV
o tempo
não comparece à festa de aniversário
e fragmenta a eternidade do beijo
num átimo de zeptosegundo
o tempo
se apresenta envelopado como
convite de casamento
parece festa flamenga
no maracanã
com ares de infinitude
o tempo
se gasta e a poesia
nutrida de um só desejo
– o agora transvestido de nudez –
transcorre todo o tempo
às mãos trêmulas do poeta:
duas mãos para o registro dos trizes
e dos deslizes das rédeas soltas
giuseppe caonetto