ano-novo

  01/01/2025

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hoje eu me despi da vida e assim fiquei:

curtindo a infância de um novo ano

que nasceu nu

na escuridão da noite

 

bem provável que amanhã ele esteja

– sabe-se lá por quê –

vestido numa fralda

brincando de transformar o tempo

 

talvez sentado aos pés de sua avó

– década passada –

ouvindo histórias de medos e coragens

saudades e esperanças

 

(algumas histórias se repetirão)

 

possivelmente eu quebre a cara outra vez

e não será culpa deste infante tempo

de apenas um dia

 

(algumas histórias se repetirão)

 

o ano-novo existe para que saibamos

– ao longo da vida –

recomeçar sonhos cicatrizados

 

(algumas histórias se repetirão)

 

quem sabe amanhã novos versos

recubram minha pele envelhecida

e façam de mim um poema inútil

 

(algumas histórias se repetirão)

 

mas hoje quero apenas ficar nu

numa taça de vinho

 

giuseppe caonetto


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