O bar fecha às nove. O beco quase dorme. Quinze minutos antes, ele entra. Dirige-se à mesa sete. Duas cadeiras apenas. Uma garrafa, dois copos. Uma folha branca, uma caneta. O dono do boteco se aproxima, sem cumprimentá-lo. Senta e observa. Sete minutos, uma pausa. Copos cheios. Copos vazios. Num só gole, a esferográfica embriaga o papel com o último verso. Copos cheios. Copos vazios. Um gole. As palavras não fazem nenhum som. O papel, sim. O dono do bar o recolhe, dobra e põe no bolso. Acena com o olhar solitário. Mais uma garrafa deixando o boteco. Mais um soneto em troca. A sinuca silencia. Guarda os tacos. Fecha o bar. Em casa, reúne aquele poema aos demais. Ordem cronológica. Queria entender os versos. Não os lê. Das letras não se fez amigo. No amanhecer, no boteco, contabiliza as garrafas. Quatrocentas e noventa. Abre o bar. Clientes. Copos cheios. Copos vazios. Goles. Conversas. Prosas com jeito de adiamento. O bar fecha às nove. Quinze minutos antes, ele não veio. Na mesa sete, duas cadeiras. Uma vazia. A garrafa, cheia. A folha, branca. A caneta, sóbria. O dono do bar se levanta. Observa as garrafas nas prateleiras. Olha as mesas. Copos vazios. Silêncio. Bilhar adormecido. Deixa os tacos. Fecha o bar. Em casa, recolhe os poemas. Ordem cronológica. Um a um, entrega ao fogo. Os bombeiros chegaram tarde.
giuseppe caonetto