Relutei todo o meu primeiro dia de 2023 para começar este texto. Confesso que pensei em escrever apenas uma frase-síntese, do tipo “o amor venceu“. A ironia, contudo, não condiz com meu espírito destroçado. Por isso, optei por discorrer sobre uma das imagens produzidas neste dia tenebroso, cujo autor desconheço, vez que reproduzida por inúmeras pessoas, em suas redes sociais. Eu a escolhi pelo simbolismo dos acontecimentos deste importante dia.
Hoje é um dia que entra para as histórias nacionais. Sim, as histórias, nas suas múltiplas versões. No futuro, não saberemos se prevalecerá a narrativa contada pela rede globo de televisão no seu fantástico show da vida (não resisti esta ironia) ou se os acontecimentos dos últimos cinco anos serão restituídos a seu dono (povo) na sua completude.
Não se pode ignorar que a história é feita de interpretações. No entanto, ao intérprete dos fatos é concedida a licença para aproximar-se da verdade, regra cada vez menos observada pelo jornalismo profissional, morto há décadas, conforme afirmado pelo comentarista político Paulo Figueiredo, mas que ainda nos assombra com suas manchetes produzidas nas redações avermelhadas da velha imprensa.
O que pretendo neste espaço é manter o registro (enquanto me for permitido pelas supremas instâncias do xandaquistão) dos fatos que presenciei e, principalmente, dos que doravante testemunharei, com o atento olhar de um cidadão patriota.
Para começar, uma imagem de ilustres cidadãos (desculpe, não resisto às ironias) sustentando uma faixa produzida pelo partido comunista brasileiro, na companhia de outras siglas desimportantes, em que se lê: “RUMO AO SOCIALISMO!”
Lembrei-me que, durante a campanha, num posto de combustível, na hora de pagar a conta, por não haver outros clientes, troquei ideias com a atendente, que me revelou sua preferência dentre os candidatos. Quis saber dela as razões pelas quais votaria no candidato petista. Fiz algumas argumentações contrárias e, sem que ela me perguntasse, disse-lhe que o motivo principal de meu posicionamento político era a luta contra o socialismo. Lembro-me dela com seu olhar de espanto tentando me dizer que “não há a menor chance do Brasil ser comunista, que tanto o candidato quanto os partidos são democráticos, querem apenas restaurar a democracia interrompida pelo governo desse...” Bem, vocês já sabem como todos os fazedores de “L” terminam esta frase.
Espero que ela esteja certa, que a chance de haver uma ditadura socialista esteja distante. Ou melhor, que esta possibilidade seja não apenas recusada, mas impedida pela brava gente brasileira. Mas temo que a atendente do posto de gasolina ajudou, com seu voto (certamente computado pelas maquininhas mágicas), a colocar o país na direção de um abismo profundo.
Saberemos em breve.
giuseppe caonetto
(*) Artigo publicado originalmente no dia 01/01/2023 em site anterior, desativado.