Hoje é o Dia Nacional da Poesia. Não porque os poetas desejaram, mas porque os não-poetas assim decidiram. Está na lei. Não sei por quê. A mim, como cidadão, resta-me cumprir a lei. Mas o poeta que me habita me desautoriza qualquer inclinação às letras frias publicadas em 2015 no diário oficial.
Há quem comemora no dia 14 de março. Dia do nascimento de Castro Alves.
“Ah, mas a nova data foi escolhida em homenagem à data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade”, retrucam um ou dois.
Vamos, pois, editar novas leis em homenagem às datas de nascimento de Cora Coralina, Vinicius de Moraes, Cláudio Manuel da Costa, Adélia Prado, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Manoel de Barros, Lêdo Ivo, Casimiro de Abreu, Manuel Bandeira, Hilda Hilst, Machado de Assis, Ferreira Gullar, Carolina Maria de Jesus, Mario Quintana, Paulo Leminski, Cruz e Sousa, Fernanda Ribeirete, Tomás António Gonzaga, Alice Ruiz, Gonçalves Dias, Augusto dos Anjos, Ivan Junqueira, Raul Bopp, João Guimarães Rosa, Gregório de Matos, Haroldo de Campos, Olavo Bilac, Ariano Suassuna, Conceição Evaristo, Éder Rodrigues, Alphonsus de Guimaraens, Carlos Nejar, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, Patativa do Assaré, Oswald de Andrade, Augusto de Campos, Helena Kolody, Murilo Mendes, Sérgio Rubens Sossella, Gilka Machado, dentre tantos e tantos outros.
E meu aniversário é no dia 28 de janeiro. Neste dia, se me perguntarem, manifestarei o desejo quanto à decretação do dia nacional da poesia mínima.
Afora isso, a Poesia não cabe em preceitos.
Seu único fundamento é a Liberdade.
Por isso, nesta data, este site inaugura o Milênio Nacional da Poesia.
giuseppe caonetto