A confissão da mídia

  27/11/2025

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Começou de forma velada e, aos poucos, o pudor e o medo foram se dissipando, à medida em que os órgãos de imprensa se harmonizavam com o regime contra o qual Jair Messias Bolsonaro se apresentou e foi eleito, até que os resquícios de vergonha foram postos de lado e o escancaramento tomou forma.

 

Se há culpados para a destruição (moral, intelectual, econômica, ética, estrutural etc.) do país, parte deles estão nas redações, em especial do grupo Globo, que ocupa a primeira posição no concurso de cretinice e desfaçatez, com os grupos Folha e Estadão disputando a segunda posição, com menção barrosa para os demais. Em todos eles, a militância de redação cumpriu papel central na consolidação do regime ditatorial em curso.

 

Agora, com a conclusão formal do processo de perseguição política contra os representantes da direita, com a prisão das principais lideranças, a militância de redação cumpre orientação do regime para se distanciar dos acontecimentos, a fim de posar, às vésperas de ano eleitoral, como porta-voz da verdade.

 

Não é possível, mesmo para quem tem mínima inteligência, crer que a “jornalista” Malu Gaspar, de O Globo, de fato demonstra preocupação com “a falta de limites do Supremo”. Ora, quando um órgão de imprensa cumpre, de fato e com rigor, seu papel jornalístico, os abusos de quaisquer autoridades, sejam quais forem, devem ser objeto de constante preocupação e questionamento, e não apenas quando lhe convém.

 

Então, qual a razão para a veiculação da matéria publicada nesta quinta-feira, 27 de novembro, em cujo título a “jornalista” Malu Gaspar admite a existência de excessos dos supremos togados, fazendo referência, no corpo do primeiro parágrafo, ao ministro Alexandre de Moraes como principal agente dos abusos?

 

No meu entendimento, além de reconhecer expressamente a violação de princípios e normas fundantes do Estado brasileiro, o propósito da matéria tem uma relação direta com os anseios, não do regime em curso (totalitarismo judiciário), mas do regime latente (totalitarismo partidário), que se beneficia dos desmandos enquanto crescem seus tentáculos sobre a estrutura estatal, visando sua consolidação. De forma mais direta: o petismo não deseja mais a tirania alexandrina e já trabalha para seu descarte.

 

Isto não significa o retorno à normalidade democrática, como tenta semear a “jornalista” global, mas tão somente o golpe do golpe, em que o ministro sancionado, violador de direitos humanos, seria isolado e estrangulado, abrindo espaços para as verdadeiras raposas do regime que, sob a “toga da democracia”, assumiriam o comando da nação, em perfeita harmonia com o partido, ainda que isto signifique a total destruição do Estado de Direito.

 

Neste ponto, quando consumado o plano lulo-petista, pela ótica dos militantes de redação tudo estará lindo e maravilhoso, com manifestações pacíficas de apoio ao imperador, em que todos, sem soltar a mão de ninguém, entoarão uníssonos, a todo pulmão: “Imagine all the people, living life in peace”.

 

giuseppe caonetto


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